segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Os desenhos animados e o Comportamento Humano

Os desenhos clássicos da Disney, Warner, Hanna e Barbera e MGM persistem na programação televisiva há muito tempo, que o diga o octogenário Mickey. Mas, por trás desses desenhos quase sempre há uma história sombria ou confusa, que nem sempre se traduz em moralismo e bom exemplo para as crianças. É fato que a maioria deles tem violência excessiva, seja por quedas, desrespeito a outros personagens ou agressão física mesmo. Basta assistir o famoso Pernalonga para ver uma sucessão de tiros disparados por um caçador, muitas vezes no seu próprio rosto. Além disso, em alguns episódios, muitos personagens bebem e fumam em momentos de êxtase, criando a relação do ato com o bem estar do momento.
No decorrer do tempo, alguns personagens passaram de baderneiros a politicamente corretos, novamente o caso do Mickey (Mickey Mouse), que no início de carreira, em 1918, fumava, bebia e chutava o traseiro de toda sorte de animais. Em 1930 os seus produtores resolveram mudar o comportamento do símbolo da Disney, tornando-o politicamente correto. Assim, para compensar a perda da sua essência cômica, surgiram os seus coadjuvantes: Pluto, Donald e Pateta.
 A  grande maioria, porém, não teve destino semelhante. O Pica-Pau (do original de Mel Blanc, The Woody, 1957) é famoso por ser um malandro no sentido estrito, sempre acaba surrando seus adversários. Além de roubar comida dos outros, trapaceia todos para conseguir o que quer e não demonstra nenhum remorso, já que ri dos fracos e oprimidos. Houve uma época em que foi alvo de críticas e censura nos Estados Unidos, mas sua índole prevaleceu. O Pernalonga (Bugs Bunny), criado em 1938 por Walter Lantz também se vale de mil disfarces e trapaças para enganar o Gaguinho, Patolino e outros personagens do Looney Tunes.
Não se engane com a aparente fragilidade e inocência do perverso Piu-Piu (do original de Bob Clampett, Tweety, 1942). Em sua gaiola sempre acaba provocando os instintos de Frajola (do original de Fritz Freleng , The Sylvester, 1945), que sempre acaba por se machucar severamente, seja por obra do buldog Hector ou da Vovó. É interessante ressaltar que até 1947, os dois personagens tinham cada um o seu espetáculo, quando então contracenaram juntos, o que deu origem à toda essa história de brigas. Ambos eram dublados por Mel Blanc (o homem das mil vozes), que também fazia as vozes do Pica-Pau e Coiote.
Quando o assunto é briga de longa data também não se pensa em outros senão Tom e Jerry (do original de Hanna e Barbera, Tom & Jerry, 1940), comumente o ratinho esperto acaba por deixar o Tom na pior, muitas vezes com ajuda do buldog Spike, que acaba surrando o coitado. Raramente os episódios de Tom e Jerry terminam em amizade entre os dois bichanos.
Criado a partir de matéria de O Estado de São Paulo, edição de 23/11/2008.

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